'Um alívio': filha reage à condenação de 28 anos do pai pelo feminicídio da mãe em Campos

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Policial civil aposentado é condenado a 28 anos pela morte da ex-mulher em Campos Após mais de quatro anos de espera, a família da professora Luanda Bittencourt Ribeiro ouviu a sentença pela morte dela: José Ricardo da Silva Ribeiro foi condenado nesta quarta-feira (12) a 28 anos de prisão, em regime fechado, pelo feminicídio da ex-mulher, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Os dois filhos de Luanda, Davi Bittencourt e Alícia Bittencourt, também depuseram no Tribunal do Júri, relatando que o relacionamento dos pais sempre foi conturbado. Segundo a filha, a espera pelo julgamento foi marcada por desespero, angústia e medo diante da possibilidade de um resultado diferente. “Veio um ímpeto em mim que eu chorei, eu gritei de alívio”, contou Alícia. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp. No julgamento, que durou mais de 12 horas, José Ricardo foi interrogado e confessou ter matado Luanda. Segundo o advogado Carlos Guilherme Mariz, assistente de acusação e representante da família de Luanda, a confissão ajudou a reduzir a pena. "A pena máxima aplicável ao caso era de 30 anos. A condenação ficou em 28 anos porque o réu confessou o crime durante o julgamento, o que resultou na redução de dois anos da pena", explicou. Segundo Mariz, a defesa tentou desclassificar a acusação para lesão corporal seguida de morte. "A tese apresentada pela defesa era de que os disparos não teriam sido capazes de provocar a morte de Luanda", contou o advogado. A argumentação, segundo Mariz, foi contestada durante os debates entre acusação e defesa. O advogado explicou ainda que a pena aplicada levou em consideração a legislação vigente na época do crime. Luanda foi morta em 2022, quando o feminicídio ainda era tratado como uma qualificadora do homicídio, e não como um crime autônomo. Apesar da condenação, o processo ainda não terminou definitivamente. Segundo o advogado de acusação, a defesa já manifestou a intenção de recorrer. “Cabe recurso, a defesa já manifestou o interesse em recorrer”, afirmou Carlos Guilherme Mariz. O advogado explicou que a acusação agora deverá aguardar os argumentos apresentados pela defesa no recurso para, depois, apresentar a resposta. Enquanto isso, José Ricardo permanece preso e cumprindo a pena, segundo a assistência de acusação. A filha de Luanda, Alícia Bittencourt, acompanhou o julgamento do pai e contou que ela e o irmão receberam a notícia da condenação com choro e alívio. “Nos abraçamos, chorando bastante. Ficamos muito aliviados”, disse. Alícia destacou que casos de violência contra mulheres não são isolados e afirmou esperar que decisões como a condenação de José Ricardo contribuam para reduzir esse tipo de violência. Luanda Bittencourt tinha 46 anos Arquivo Inter TV Relembre o crime Luanda Bittencourt Ribeiro, de 46 anos, foi baleada pelo então ex-marido em 3 de fevereiro de 2022, dentro de um estacionamento na Rua 13 de Maio, no Centro de Campos. Ela foi atingida por três disparos, no tórax, abdômen e perna. Depois do ataque, José Ricardo fugiu. Ele foi localizado e preso dias depois pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), durante uma abordagem na BR-101, em Casimiro de Abreu. Luanda ficou internada durante 23 dias no Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em 27 de fevereiro de 2022. O caso foi investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) e teve grande repercussão em Campos. A acusação sustentou que o crime ocorreu em meio ao inconformismo de José Ricardo com o fim do relacionamento. O g1 tentou fazer contato com a defesa, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/norte-fluminense/noticia/2026/08/13/ex-marido-e-condenado-a-28-anos-por-feminicidio-de-professora-em-campos.ghtml


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