Ministro diz que não faltarão recursos para combate à microcefalia

admin 30 de dezembro de 2015 0

zica

Em debate na Câmara, Marcelo Castro admitiu que a doença, já registrada em 19 estados e no Distrito Federal, é o problema de saúde mais urgente a ser enfrentado pelo governo neste momento

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, reconheceu nesta quarta-feira (16), durante a comissão geral na Câmara dos Deputados, que a microcefalia é um dos mais graves problemas de saúde pública da história do País, exigindo ações firmes e determinadas das três esferas de governo (União, estados e municípios) e de toda a sociedade brasileira.

Castro assegurou que não faltarão recursos no Orçamento da União de 2016 para enfrentar o surto de microcefalia que já atinge 549 municípios em 19 estados e no Distrito Federal. “Esse é o problema número 1 que o País tem de resolver. E é evidente que nenhum governo responsável deixará faltar dinheiro para uma questão de saúde pública dessa magnitude”, disse Castro, destacando que essa também é a visão da presidente Dilma Rousseff.

A doença ganhou níveis epidêmicos no Brasil nos últimos três meses, levando o Executivo a decretar estado de emergência sanitária nacional. De acordo com o último Boletim Epidemiológico, do Ministério da Saúde, foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos até 12 de dezembro deste ano.

A microcefalia é uma enfermidade grave, incurável, que se caracteriza pelo crescimento insuficiente do crânio e do cérebro de bebês durante a gestação. O diagnóstico definitivo da moléstia ocorre quando o tamanho da cabeça de um bebê com 9 meses de gestação é menor que 33 centímetros.

A principal suspeita é de que a maioria dos casos são resultados da infecção da mãe, durante a gestação, pelo Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também é agente transmissor da dengue e das febres chikungunya e amarela, entre outros males.

Três eixos
Castro comentou que as ações do governo federal de combate ao surto estão divididas em três eixos, que envolvem a mobilização e o combate ao mosquito; o atendimento a mães e crianças infectadas pelo Zika vírus; e o desenvolvimento de tecnologia, educação e pesquisa.

Do total de casos notificados, 134 foram confirmados como tendo relação com o Zika e 102 não têm relação com o vírus. “Essa é uma situação completamente nova para a comunidade científica em termos de saúde pública mundial. Prontamente o ministério [da Saúde] uniu esforços de especialistas para conduzir estudos no País”, afirmou o ministro. “Mas é necessário o esforço de toda a população para reduzir a presença do Aedes aegypti e combater o Zika vírus”, acrescentou.

O deputado Mandetta (DEM-MS), que é médico e propôs o debate em parceria com a Frente Parlamentar da Saúde, defendeu a revisão do Programa Nacional de Combate à Dengue (PNCD) e cobrou mais investimentos em pesquisa sobre vacinas contra a dengue e o Zika. “É imperativo a revisão do programa de combate a dengue”, ressaltou Mandetta.

Castro destacou também o novo foco das mensagens divulgadas pelo governo, que abordam agora os efeitos do Zika vírus em gestantes. “O mosquito da dengue pode matar e é ainda mais perigoso para gestantes. Proteja-se”, diz a mensagem lida pelo ministro.

Pesquisas
Ele comentou também outras frentes de batalha contra o Aedes aegypti e as doenças transmitidas pelo mosquito. Castro citou testes feitos pela Fiocruz, que estuda a contaminação do mosquito pela bactéria Wolbachia, na esperança de incapacitar o inseto a transmitir doenças tropicais.

Além disso, o ministro salientou a intenção do laboratório Sanofi Pasteur de vender ao País vacinas contra a dengue. Segundo ele, a empresa está próxima de conseguir o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A vacina é composta de três doses e cada uma delas custa em média 20 euros. Como são 200 milhões de pessoas, é inviável vacinar todos. Teríamos, então, que definir um grupo prioritário para aplicar”, explicou Castro.

Por fim, o ministro comentou a possibilidade de o Instituto Butantã desenvolver uma vacina contra a dengue no prazo de um ano e defendeu esforços, incluindo parcerias com organizações internacionais, para a criação de uma vacina contra o Zika vírus.

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Fonte: Portal Câmara dos Deputados

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